COI faz homenagem a atletas mortos em atentado de 1972

Durante evento, ministros criticaram judoca egípcio que não cumprimentou oponente.

RIO — O Comitê Olímpico Internacional (COI) homenageou no fim da tarde deste domingo (14), em uma cerimônia no Palácio da Cidade, os 11 esportistas mortos durante o ataque terrorista contra a delegação israelense nos Jogo Olímpicos de Munique, em 1972. Autoridades brasileiras e israelenses que estiveram presentes condenaram ações de terrorismo. Para a imprensa, eles também criticaram a atitude do egípcio Islam El Shehaby que se recusou a cumprimentar seu adversário, o judoca israelense Or Sasson durante uma prova nos Jogos do Rio.

Alguns atletas da delegação israelense sentaram-se em lugares reservados no palco, onde autoridades discursaram. Durante a cerimônia, onze velas foram acesas, para lembrar cada uma das vítimas. A bandeira de Israel foi hasteada no palácio, ao lado da bandeira do Brasil e ao som do hino nacional brasileiro. A ministra da Cultura e dos Esportes de Israel esteve na cerimônia e disse que a prática terrorista “não faz diferenciação entre as pessoas” e atinge vítimas de todas as idades, gêneros e classes sociais.

— Enquanto lutamos contra o terror, buscamos a paz — declarou a ministra. – Ainda vemos discriminação contra atletas israelenses. Há países que negam vistos para competidores. Sabemos que misturar esporte e política é contra o protocolo do COI e contrário ao espírito olímpico. O esporte deve aproximar as pessoas.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, esteve na cerimônia, que o Comitê Olímpico Internacional “não fez a homenagem que deveria” aos atletas israelenses. Enquanto as famílias deles pedem que as cerimônias de abertura das Olimpíadas tenham um minuto de silêncio em homenagem a essas vítimas, na semana passada, foi feita a primeira homenagem oficial do COI, com a inauguração de um “local de luto” dentro da Vila dos Atletas, o que deve se tornar uma tradição a partir dos Jogos do Rio.

O presidente do COI, Tomas Bach, discusou na cerimônia e disse que o momento era “de lembrança pelo espírito daqueles que partiram”:

— O terror não vai vencer. Os Jogos Olímpicos são uma celebração da vida — falou.

Bach agradeceu às viúvas e familiares dos atletas mortos no ataque. Uma delas também discursou. Ankie Spitzer, viúva do técnico de esgrima Andre Spitzer, por sua vez, também fez elogios a Bach:

— Sempre acreditamos que você seria a pessoa que daria esse passo adiante. Embora sempre tivéssemos esperado um minuto de silêncio durante as cerimônias de abertura, estamos agradecidos pela comovente e digna cerimônia na Vila dos Atletas. E o fato de que ela vai ser parte do protocolo olímpico faz com que nossos entes queridos nunca sejam esquecidos. O Rio e o Brasil têm sido muito bons para nós.

Durante cerimônia, foi encaminhado pela vereadora Teresa Bergher um ofício ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, pedindo o minuto de silêncio no encerramento dos Jogos, marcado para o dia 21.

ATITUDE ‘LAMENTÁVEL’

As autoridades também criticaram muito o desfecho da luta entre os judocas Islam El Shehaby e Or Sasson. Picciani acha que o ato é “lamentável”:

— Devemos homenagear os bons exemplos e desprezar os maus — concluiu.

Já Serra afirmou que foram manifestações “infelizes” e “deploráveis”:

— O fanatismo e a intolerância são péssimos ingredientes para que se chegue à paz mundial ou à convivência pacífica entre os povos. Repudiamos este tipo de atitude.

Mais democrático, o próprio judoca israelense agradeceu ao seu técnico e ao apoio do seu país e do seu governo. E disse que, como atleta, vai para as provas só pensando em ganhar e deixa a política de lado:

— Vou para ser profissional. Não é a primeira vez que acontece com um lutador de judô em partidas contra muçulmanos. Para mim, nada de política. Só penso em meus objetivos e em realizar meus sonhos — contou.

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