Resumo da Parashát Vayetsê

Resumo da Parashát Vayetsê, Bereshit/Gênesis 28:10 – 32:03 – …acompanhamos os testes e atribulações vividas por Yáacov (Jacó) enquanto morou e trabalhou com seu sogro, Laván (Labão). Jacó concordou em trabalhar 7 anos para poder se casar com Raquel e acabou descobrindo que Laván trocou com a filha Leah  antes da cerimônia matrimonial. (Por esse motivo nós fazemos os bedekim, o levantamento do véu nos casamentos tradicionais, para assegurar que o noivo está se casando com a noiva escolhida por ele). Enquanto Jacó tentava montar seu patrimônio pessoal, Laván mudava as regras do acordo feito com ele a toda hora. Depois de 20 anos, o Todo-Poderoso diz a Jacó ter chegado a hora de retornar para a Terra de Canaã e ele e sua família partem em segredo, mas logo são perseguidos por Laván, que alega ‘diferenças monetárias’ com Jacó. No final, a história acaba pacificamente com um abençoando o outro.
D’Var Torá – baseado no livro, “Crescer pela Torá”, do rabino Zelig Pliskin A Torá declara: “Yaácov trabalhou 7 anos por Raquel. E foram, a seus olhos, como poucos dias, devido a seu amor por ela”. Quando amamos uma pessoa, mesmo um pequeno período de separação pode parecer uma eternidade. Como é possível que todo este tempo pareceu como ‘poucos dias’ para Jacó? Em seu clássico comentário, o Malbim (Rabino Meir Leibush bem Yechiel Michel, Rússia, 1809-1879 E.C.) oferece 2 respostas: 1) Jacó amava Raquel tanto que achava ser ela era merecedora que ele trabalhasse muito mais que sete anos. Portanto, trabalhar 7 anos por uma pessoa tão maravilhosa foi realmente uma barganha. 2) O amor de Jacó por Raquel não era apenas uma simples paixão. Jacó a amava pelas boas qualidades que a fariam merecedora de ser a mãe do futuro Povo de Israel. Um sujeito cujo amor é baseado em paixão, na verdade ama a si mesmo e não o objeto de seu amor. Quando uma pessoa ama o que há de bom na outra, ele realmente ama a outra e não a si próprio. (A Torá nos diz que o foco de Jacó era em seu amor ‘por ela’). Portanto, o tempo trabalhado parecia menor, pois não era baseado num amor egoísta.
O Rabino Moshe Alshich (Safed/Tsfat, Israel, 1508-1593 E.C.) oferece outra abordagem: Os 7 anos pareceram-se como poucos dias aos olhos de Jacó DEPOIS que ele já havia se casado com Raquel. Seu amor e alegria ofuscaram e até apagaram o sofrimento dos 7 anos de trabalho. 2) Nossa lição: Esclareçamos se temos um coração ardendo ou uma queimação no coração – estamos amando ou apaixonados? Existe um grande diferença entre o amor (algo real e duradouro) e a paixão (algo muitas vezes imaginário e passageiro). Em segundo lugar: se passarmos por uma situação difícil, como por exemplo, dificuldades em arrumar uma esposa, precisamos estar conscientes de uma coisa: todas nossas tentativas e atribulações atuais parecerão insignificantes à luz de nossa futura alegria. Portanto, não soframos muito agora. Pelo contrário, antecipemos nossa alegria futura!
Para refletir – Nossos Sábios assemelham a Torá com a água. Ela é necessária para a vida, é essencial para o crescimento e para atingirmos nosso potencial. Um sujeito arrogante coloca-se numa posição alta como uma montanha. O que ele esquece é que a água flui da montanha para os lugares mais baixos, e não o contrário. Para extrairmos o máximo de nosso potencial, precisamos ser humildes. Humildade é liberdade. O que nos refreia e nos inibe são nossas preocupações desnecessárias sobre nós mesmos, incluindo como nos parecemos aos olhos dos demais. Quando a pessoa preocupa-se apenas com a verdade e vive por isto, então ela é livre para realizar as coisas mais significativas. Como podemos trabalhar para desenvolver nossa humildade? Use a humildade para abrir-se para a sabedoria. Sem humildade não conseguiremos adquirir sabedoria, pois estaríamos por demais fincados em nossa realidade subjetiva. O 1° passo é admitirmos que não sabemos tudo, ‘abrindo nossas cabeças’ ao que a Torá tem a nos dizer. Uma maneira de conquistar mais objetividade é aconselhar outra pessoa. Lidar com as questões dos demais nos permite enxergar nossa própria situação mais claramente.

Para contemplar – A gema correspondente ao mês de Kislêv, o 9° mês, é a ametista, chamada “achlamá”, em hebraico. Achlamá vem da raiz etimológica hebraica “chalam”, que significa “saúde” (física e mental) e “cura” [vide Isaías 32:16]. Aliás, no mês de Kislêv…, lemos nas porções da Torá 9 dos 10 sonhos lá mencionados (Jacó Labão, José, Faraó, os ministros, etc.). A palavra “sonho” – em hebraico “chalom” – provém da mesma raiz etimológica já mencionada. Tudo isso nos permite concluir que Kislêv também é um mês propício para a concretização dos sonhos.
Encontramos na Torá que antes de Jacó deitar e sonhar sobre a famosa escada que atingia o céu, ele protegeu a sua cabeça (Bereshit/Gênese 28:11). A cabeça é a parte mais sensível do corpo, e a maior preocupação do homem é mantê-la saudável. Falando em nível do povo, também precisamos cuidar da nossa dor de cabeça. …a literatura talmúdica [Beit Hamidrash IV, Tossfot Menachot 37a] nos relata um julgamento realizado na época do Rei Salomão. Um pai de família faleceu, deixando sua herança para 7 filhos. Um deles possuía 2 cabeças e achava que a herança deveria ser dividida em 8 partes, cabendo-lhe duas porções. Os irmãos discordavam, achando que a herança deveria ser dividida em 7 partes iguais. O problema foi levado aos sábios, chegando até a Corte Suprema (Sanhedrin), que não soube como julgá-lo, recorrendo à ajuda do sábio rei Salomão. O rei aceitou o caso… À noite, o rei foi ao Templo rezar, quando lembrou ao Todo-Poderoso que ele não havia pedido nenhuma honra nem riqueza, apenas sabedoria… Pela manhã, o rei Salomão, inspirado pela sabedoria Divina, mandou trazer água fervente para despejar em uma das cabeças deste ser estranho, dizendo o seguinte: “Se as 2 cabeças gritarem de dor, é apenas uma pessoa; se uma gritar e a outra não, são 2 pessoas diferentes”… A água foi jogada em uma cabeça e logo as 2 cabeças começaram a gritar de dor. Neste momento, o rei proclamou o veredito que era uma só pessoa e a herança deveria ser dividida em 7 partes. Mais uma vez, esta decisão salomônica foi aclamada por todos.
Sem desconsiderar o conteúdo literal desta história, alguns também a interpretam de maneira figurativa. Após o reinado de Salomão, ocorreu a famosa cisão entre os Reinos de Israel e Judá.
Já nos últimos anos de vida do rei Salomão havia discórdia entre as Tribos de Judá e Efraim. A situação chegou a tal ponto, que alguns temiam uma divisão categórica, gerando 2 povos com 2 cabeças. O rei, preocupado com esta desavença que poderia levar a uma divisão concreta do povo, resolve testar se as divergências são apenas superficiais ou profundas… E a melhor forma de saber isso é ver se ambos sentem dor e aflição pelas mesmas mágoas – a mesma dor pela água fervente.

Para pensar –  Hoje, muito se comenta sobre as divergências dentro do povo judeu. Fala-se em ortodoxos e ultra-ortodoxos de um lado e liberais e ultra-liberais do outro. Também na Terra Santa existem profundas diferenças entre a direita e a esquerda e os extremos de ambos os lados. Alguns, precipitados, falam de uma ruptura definitiva. Outros nos assediam falando repetidamente em divisão do povo de Israel. Muitos temem ver 2 povos com 2 cabeças. O julgamento salomônico relatado… permite-nos checar se esta dor de cabeça são apenas divergências superficiais ou se estamos à beira de um cisma perigoso. A realidade nos mostra que todas as correntes do judaísmo sentem uma profunda dor quando somos afligidos por sofrimentos materiais ou espirituais. Todos os irmãos choram e gritam quando veem as cenas chocantes dos… atentados terroristas em Israel e em outros lugares, como aconteceu em 1994 em Buenos Aires com as vitimas judeus e não-judeus, Argentinos e não-Argentinos na AMIA – Associação Mutual Israelita e também nas vitimas inocentes, judeus e não-judeus que perderam a vida em 2008 em Mumbai, Índia…(até hoje estes casos não foram resolvidos pelo os autoridades).

Todavia, …todos nós, sentimos uma profunda dor quando tais fatos ocorrem ou chegam aos nossos ouvidos. Sem dúvida nenhuma, as divergências entre os vários segmentos do povo de Israel são apenas superficiais. As diferenças não estão enraizadas profundamente, já que todos sentimos a mesma dor pelas adversidades que recaem sobre nós. Afinal, cada judeu possui dentro de si a chama eterna, a faísca Divina. Todo e qualquer judeu, sem exceção, desde o mais justo ao mais perverso, do mais erudito ao mais ignorante, fala em sua prece matinal “Ó, meu D’us, a alma que me deste é pura”. Esta faísca Divina é o denominador comum que assegura sermos um só povo. Temos que nos concentrar naquilo que nos une, naquilo que temos em comum, e não enfatizar constantemente as diferenças que nos separam. E a dor de cabeça? Como combatê-la? Água fervente tem que ser esfriada com água fria e pura.

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